Crítica: Here Comes Everybody - Parte 1

July 03, 2011

Livro Here Comes everybodyQuem me conhece sabe que não sou muito fã de livros que se preocupam mais em apresentar casos e exemplos do que mostrar, comentar e criticar conceitos, falta algo mais objetivo, entretanto, apesar deste costume comum em livros de autores americanos, é possível aproveitar boa parte de Here Comes Everybody. O meu foco em conhecer consumidores de produtos e serviços interativos, os chamados usuários, sempre foi em estudar comportamentos, nunca SEO ou métodos do momento, e a frase de capa do livro foi um bom chamariz, “Revolução não acontece quando a sociedade adota novas tecnologias, acontece quando a sociedade adota novos comportamentos”.

Ainda hoje, muitos não entendem o que é tecnologia. Não creio que uma tecnologia deixe de ser tecnologia com o passar do tempo, portanto, até uma enxada e um garfo se tornam tecnologia pois aumentam a capacidade humana de alguma forma facilitando e agilizando coisas que já fazíamos antes. Com redes sociais não é diferente. O seu bisavô, e seus avós quando criança, já participavam de redes sociais. Seja o encontro na praça da cidade, salões e reuniões, até os saraus e reuniões de damas da sociedade para a leitura e discussão de folhetins (as antigas novelas, por exemplo José de Alencar). Toda o encontro de indivíduos conhecidos ou que compartilhavam do mesmo interesse e divulgavam os acontecimentos ara outros, era uma rede social.

O que se ganhou então com a nossa tecnologia de redes sociais? Assim como compras coletivas, crowdfunding, colabração (vê-se softwares de código aberto e outras iniciativas) e tudo mais que apareceu nos últimos anos, o que se ganhou foi escala e independência geográfica e situacional. Se antes os encontros de seu avô tinham 10, 30 ou 200 pessoas, hoje eles podem ter 300.000. Se antes a reunião era na praça, hoje ela acontece em diversos locais pelo mundo (visto os protestos na invasão do Iraque, ou as flashmobs após a morte de Michael Jackson).

Se antes você tinha que estar em um local em um certo horário para fazer parte do grupo, hoje você participa em qualquer situação, a qualquer momento. Você não precisa mais conhecer todo mundo nos seu círculo para imediatamente ter afinidade, a escala lhe permite a intimidade anônima, “- Eu não sei quem você é, mas acredito no que você acredita”, e isso fica mais claro nos grupos que sentem ou excluídos, ou acuados, ou qualquer outra forma de segregação, seja social, política, financeira, etc., “Preciso formar o meu grupo e assim eu sou mais forte. Se eu apoiar e ajudar o grupo, outros me ajudarão”.

Shirky começa o livro contando o caso de uma mulher, Ivana, que teve o celular roubado por uma adolescente porto-riquenha. O celular era sincronizado com uma conta tipo Google, onde agenda, fotos e outras funcionalidades mantinham-se atualizadas. Mesmo que a nova dona do aparelho, Sasha, mudasse o chip, a mulher e o amigo dela Evan conseguiam ver números, fotos, entre outras coisas feitas pela adolescente. Eles tentaram o contato, mas falar com a ladra foi em vão, só conseguiram escutar zombarias dela e ameaças do irmão da menina. A polícia local não se importou com o caso, tratando-o como corriqueiro. Enfim Evan resolveu colocar o caso nas redes sociais e em um blog. O caso tomou dimensão tamanha que ficou impossível ignorar. Todos os números de telefone, fotos e vídeos da adolescente foram expostos pelo casal na internet e mesmo as ameaças do irmão não adiantaram, eles continuaram até que a polícia agisse. E ela agiu. Quando um grupo tão grande de pessoas na internet resolveu abraçar a causa de Ivana, a adolescente passou a sofrer onde morava, onde iae até na internet, e a polícia teve que ir atrás do celular roubado. Nem Evan tinha mais controle do que criou.

A escala do caso elucida que uma rede social não é apenas produto de seus membros individuais, mas é também produto dos grupos constituintes. É a relação entre indivíduos e grupos, entre indivíduos dentro dos grupos, entre grupos, e isto forma uma rede extremamente complexa que trabalhando junta pode criar uma enorme gama de efeitos colaterais, bons ou ruins. Hoje nossos grupos são maiores e mais complexos, mais requisitados e de maior duração. Eles se extendem além da praça, da família e amigos e abraça estranhos, criando uma inteligência coletiva além do indivíduo. Isto permite aos grupos realizarem tarefas maiores, mais complexas, mais dispersas e que duram mais tempo, algo que uma pessoa ou grupos pequenos não poderiam fazer sozinhos.

Você deve se perguntar, mais o que as redes sociais tem a ver com isso? Uma empresa precisa de governança. São necessários presidentes, diretores, gerência e coordenadores, e o processo de liderança e organização acaba sendo o que gera mais custo para uma empresa. Agora tente transpor este conceito para as redes sociais. A governança foi eliminada por uma ferramenta interativa que permite as seus membros se organizar, trabalhar e alcançar resultados sema presença de uma figura responsável pela ordem. A ferramenta social é a ordem e os grupos se auto-regulam. A ferramenta oferece a distribuição, a especialização e a coordenação.

Não perca a Parte 2 deste artigo.

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How People See Creatives

November 16, 2010

Ok, I know it's not funny, but if we think of our daily lives as creatives and how we have to deal with company' managers, directors, presidents or even the clients, we know that most things in these videos are true. What do you think? Can we change that? Can we transform our work into something good instead of something that can be changed by anyone who wants to use creatives just as an aesthetics tool to sell products and services?





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Future of Design is Human-Centered

November 15, 2010

Do you know IDEO? If you're a veteran in innovation I'm sure you do. IDEOs David Kelley says that product design has become much less about the hardware and more about the user experience (UX). He shows videos of this new broader approach, including footage from the Prada store in New York. A TEDs lecture from 2007. If you don't know IDEO yet give it a try and become a fan of Design Thinking: http://www.ideo.com/

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YouTube: Anthropological Introduction

November 14, 2010

I know this an old video and I think that a lot of people have seen it already, but anyway, I decided to post old videos 'cos I bet there are a lot of begginers searching for new information and Michael Wesch is one of the best professors who understands communication on new medias, specially collaboration and "organization without an organization".

Michael Lee Wesch is assistant professor of cultural anthropology at Kansas State University. Wesch's work also includes media ecology and the emerging field of digital ethnography where he studies the effect of new media on human interaction. This video was presented at the Library of Congress on June 23rd, 2008: http://mediatedcultures.net

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We All Want to Be Young

The movie "We All Want to Be Young" is the outcome of several studies developed by BOX1824 in the past 5 years. BOX1824 is a brazilian research company specialized in behavioral sciences and consumer trends. This movie has an open license by Creative Commons. Written and directed by Lena Maciel, Lucas Liedke and Rony Rodrigues.

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